Os conflitos societários estão entre os fatores que ajudam a explicar a deterioração financeira de grandes empresas e a busca por processos de reestruturação no país, segundo o consultor João Nogueira Batista.
Em entrevista ao especial “A Crise de Grandes Marcas”, do CNN Money, nesta quinta-feira (3), ele afirmou que, além de questões de gestão, o ambiente de juros elevados e as transformações estruturais em diferentes setores também contribuíram para pressionar companhias brasileiras.
Para Batista, a taxa de juros real é especialmente relevante para empresas do varejo, que dependem de capital de giro para financiar suas operações.
“Para o varejo, que trabalha muito com capital de giro, é mortal. Passar alguns anos pagando taxas de juros reais da ordem de mais de 10% é uma loucura, não há business que se sustente”, afirmou.
O cenário pode ser observado no caso da Casas Bahia. O grupo entrou com pedido de recuperação judicial em agosto deste ano, com R$ 17,3 bilhões em dívidas. O passivo total da companhia, considerando também créditos que ficam fora da recuperação, supera R$ 27,8 bilhões.
Entre os fatores apontados pela empresa estão o ambiente macroeconômico desfavorável, juros elevados, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre o consumo e o capital de giro.
Porém, a crise começou antes mesmo do pedido de recuperação judicial.
