A decisão do ministro André Mendonça sobre a homologação de uma possível delação premiada no âmbito do caso Dark Horse coloca o magistrado no centro de uma intensa disputa política. Segundo Pedro Venceslau, ao HORA H, Mendonça controla o “timing”, termo em inglês para o controle do momento oportuno, da chamada “guerra eleitoral” que se instaurou na Corte.
A delação em questão envolve Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”. A PGR (Procuradoria-Geral da República) aceitou o pedido de acordo de colaboração premiada, mas a homologação depende exclusivamente de Mendonça, que não tem prazo legal para se manifestar. Segundo Venceslau, o ministro pode tanto rejeitar a delação, o que geraria desgaste para ele próprio e para o STF, quanto simplesmente deixar o assunto “na gaveta” até depois das eleições.
Investigação e ramificações do caso
De acordo com a análise, a delação de Freixo Júnior tocaria diretamente na questão do patrocínio ao filme Dark Horse. O dinheiro teria sido direcionado ao fundo Heaven Gates, sediado no Texas, chegando posteriormente a Paulo Calixto, descrito como próximo de Eduardo Bolsonaro.
Na avaliação de integrantes do PT, a colaboração poderia ainda alcançar o custeio da estadia de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde ele teria realizado movimentações políticas junto ao governo norte-americano.
