O Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), que entra em vigor no fim deste ano, deve estender seus efeitos para além do bloco e pressionar a adequação de cadeias de suprimento de café voltadas também a mercados não europeus. A avaliação foi divulgada pela plataforma de transparência Trase e aponta que 79% das importações mundiais da commodity passam por tradings e importadoras que também abastecem países da União Europeia.
Segundo o estudo, a forte sobreposição entre operações destinadas à Europa e a outros mercados reduz a viabilidade operacional de separar lotes adequados às exigências do EUDR daqueles enviados a países sem regra equivalente. A Trase afirma que esse modelo de segregação tende a elevar custos para as grandes tradings.
O levantamento mostra que, para parte das principais empresas do setor, as compras europeias representam mais da metade do volume global de negócios. É o caso da JDE Peet’s, com 84% do total direcionado à União Europeia, da Louis Dreyfus Company, com 63%, e da Neumann Gruppe, com 53%. Nesse cenário, a aplicação das exigências socioambientais e de combate ao desmatamento em todas as operações globais ganha força, em um movimento descrito pelo estudo como “efeito Bruxelas”.
