Durante mais de uma hora, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, dedicou todos os seus esforços a convencer o Parlamento de que a forma como o seu governo lidou com a crise migratória que afetava a Cidade Autónoma de Ceuta há mais de um mês tinha sido adequada.
Sánchez relatou detalhadamente os eventos ocorridos nos dias anteriores e posteriores ao incidente, bem como seus planos de apoio para mitigar o impacto sobre a população de Ceuta e evitar que se repita no futuro.
Além disso, Sánchez negou que Marrocos tivesse qualquer responsabilidade pela travessia em massa de 70 mil migrantes para Ceuta em 30 de julho, em resposta às críticas da oposição e até mesmo de seu próprio parceiro de governo, Sumar, que sugeriu que a travessia havia sido provocada pelas autoridades do país vizinho.
“Nenhuma dessas instituições, nem o serviço diplomático, nem a Comissão Europeia, nem qualquer organização internacional forneceu ao governo espanhol provas concretas de que Marrocos planejou ou executou o incidente”, disse Sánchez. “Se tais provas concretas existissem, agiríamos de acordo, com toda a força”, afirmou.
Abordando outro aspecto controverso desta crise, o premiê espanhol negou que o governo tivesse recebido informações prévias que indicassem a magnitude do que estava prestes a acontecer. “Nenhuma das mensagens (das Forças de Segurança ou do Centro Nacional de Inteligência) foi além da descrição dos dados ou de um alerta de rotina”, afirmou.
