O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, montou um esquema para não deixar rastros no WhatsApp. Escrevia mensagens no bloco de notas do celular, tirava print e enviava como imagem de visualização única. A ideia era clara: se não fica no WhatsApp, não fica em lugar nenhum.
O problema é que ficou. No próprio iPhone.
“Ele se protegeu contra o aplicativo e acabou caindo nas garras do próprio celular”, disse o dr. Álvaro Machado Dias, neurocientista, professor da Unifesp e colunista do Olhar Digital, em entrevista ao Olhar Digital News. “A cada nota que ele gerava, era produzido um PDF temporário com o mesmo texto, numa pasta chamada Temp - e ela ficava lá.”
Vorcaro foi preso pela Polícia Federal e seu iPhone 17 Pro foi apreendido. As mensagens reveladas pela perícia incluem conversas com o ministro do STF Alexandre de Moraes. O caso ganhou repercussão nacional após o ministro André Mendonça retirar o sigilo do inquérito.
Como a perícia funciona - e o que ela realmente lê
A perícia forense digital não lê o celular. Ela copia. “O aparelho é isolado da rede para que ninguém apague nada à distância”, explicou Álvaro. Em seguida, uma ferramenta - no caso da Polícia Federal, o Cellebrite - faz uma cópia integral dos arquivos.
Depois entra o IPED, software próprio da PF, que indexa e organiza esse volume gigantesco de dados, cruzando horários, registros e arquivos.
