A dor é um mecanismo natural de proteção. Ao pisarmos em um objeto pontiagudo, terminações nervosas detectam a agressão e transmitem essa informação ao sistema nervoso, que desencadeia uma resposta de defesa e nos faz retirar o pé. Existe uma ameaça, o organismo a reconhece e reage.
Na dor crônica, porém, esse sistema pode ficar desregulado. Em algumas pessoas, mesmo depois de a lesão inicial ter melhorado ou sido tratada, as vias responsáveis por transmitir e processar a dor podem permanecer excessivamente sensibilizadas ou podem ter sido lesionadas. É como um alarme de incêndio que continua disparando mesmo quando o fogo já foi controlado.
Isso ajuda a explicar por que alguns pacientes continuam sofrendo, apesar de medicamentos, fisioterapia, infiltrações ou cirurgias. Nesses casos, tratar apenas o local da dor pode não ser suficiente. É preciso compreender também como o sistema nervoso transmite e processa essa informação.
Neuromodulação: interferência sem destruição
Diferentemente de procedimentos que interrompem ou lesionam vias nervosas, como algumas rizotomias e neurólises químicas, a neuromodulação procura modificar seu funcionamento sem destruí-las. Pequenos impulsos elétricos interferem de forma controlada nos circuitos relacionados à dor. Em vez de “cortar o fio”, busca-se mudar a maneira como essa informação circula pelo sistema nervoso.
Uma das técnicas mais utilizadas é a estimulação da medula espinhal.
