Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, declarou à Polícia Federal ter determinado o repasse de recursos para um projeto social ligado a Belline Santana, ex-chefe da Supervisão Bancária do Banco Central. Em depoimento prestado na 6ª feira (28.ago.2026), o banqueiro negou ter recebido qualquer contrapartida ilegal e afirmou que “não houve transferência direta de vantagem econômica” ao servidor. Vorcaro prestou esclarecimentos por videoconferência a partir da Papudinha, em Brasília, onde está preso pela operação Compliance Zero.
Segundo Vorcaro, Belline o informou sobre uma iniciativa para qualificar jovens negros para cargos de liderança no setor financeiro. O banqueiro afirmou ter encaminhado o assunto a seu cunhado, Fabiano Zettel, para viabilizar a destinação das verbas. O fundador do Banco Master declarou não lembrar a quantia exata, mas estimou o valor entre R$ 2 milhões e R$ 4 milhões -montante que disse ser habitualmente direcionado por ele a ações sociais.
A PF apresentou mensagens do celular do empresário durante o depoimento. Em outubro de 2023, Zettel mencionou a necessidade de efetuar o pagamento a Belline, e Vorcaro orientou a utilização de uma empresa sem ligação direta com o cunhado. A operação foi efetuada por meio da empresa Super. Vorcaro justificou a cautela por causa da função exercida por Belline no órgão regulador, mas declarou que o financiamento social não envolveu favorecimento ou influência nas atividades de fiscalização do Banco Central.
