A suspensão das importações de produtos de origem animal do Brasil pela União Europeia, que entrou em vigor nesta quinta-feira (3), deve ter efeitos limitados no curto prazo para o mercado brasileiro, segundo o presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), Ricardo Santin. Na avaliação do executivo, porém, a ausência da carne de frango brasileira pode ser sentida pelos consumidores europeus e pressionar os preços de alimentos na região caso a medida se prolongue.
Santin afirmou, em entrevista ao CNN Agro News, que os importadores europeus anteciparam compras nos últimos meses diante da possibilidade de interrupção do comércio. As exportações brasileiras de carne de frango para a União Europeia cresceram 73% de janeiro a julho deste ano, segundo ele.
“A exportação para a União Europeia de carne de frango representa 7% das exportações brasileiras, anteriormente era uma média de 5%”, afirmou. O Brasil, acrescentou, mantém vendas para mais de 150 países, o que permite redirecionar parte da produção para outros mercados.
O impacto, portanto, não deve ser imediato. Santin destacou que as empresas brasileiras podem registrar perda de rentabilidade, já que o mercado europeu remunera melhor o produto.
Ele citou como exemplo o episódio de influenza aviária registrado no Rio Grande do Sul no ano passado, quando o Brasil ficou quatro meses sem vender carne de frango para a União Europeia e, ainda assim, encerrou o ano com crescimento de 1% nas exportações.
