O Supremo Tribunal Federal atravessa um daqueles momentos em que o silêncio deixa de ser prudente e começa a produzir desconfiança.
As informações reveladas a partir do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, colocaram integrantes da mais alta Corte do país no centro de questionamentos que não podem ser tratados como simples ruído político, muito menos como disputa de redes sociais.
Não se trata de acusar, condenar ou absolver antecipadamente ninguém. Trata-se de reconhecer que os fatos conhecidos são graves, as dúvidas são legítimas e a sociedade tem o direito de receber respostas completas.
O relatório da Polícia Federal tornado público reúne mensagens, registros de encontros e documentos relacionados a Vorcaro e a autoridades. Parte do material é atribuída diretamente ao ministro Alexandre de Moraes; em outros trechos, a própria PF trabalha com diferentes graus de identificação do interlocutor.
Há uma ressalva indispensável: várias respostas não foram recuperadas, e os documentos divulgados não comprovam, por si só, que os pedidos formulados por Vorcaro tenham sido atendidos.
Isso impede uma condenação precipitada. Mas não elimina a necessidade de apuração.
Também vieram a público informações sobre contratos do Banco Master com o escritório de advocacia da esposa de Moraes.
