Antes de seu IPO em junho, a SpaceX descreveu seu CEO como a “força motriz por trás de nosso crescimento, inovação e sucesso operacional”. Sua perda, “seja por falecimento, invalidez ou qualquer outro motivo […] poderia afetar significativamente nossa estrutura de gestão”.
Embora essa seja uma linguagem bastante comum em documentos regulatórios, trata-se também de um eufemismo impressionante.
A divulgação, conhecida como “risco de pessoa-chave”, alude a um dilema no cerne do império de Elon Musk, um gigante de foguetes, robôs, satélites e inteligência artificial com aspirações de “tornar a vida multiplanetária”: Musk pode ser um talento único em uma geração, mas não é imortal.
“Só existe um Elon Musk, e não vão criar outro igual a ele”, disse Dan Ives, analista de tecnologia veterano e um dos maiores fãs de Musk em Wall Street.
“É uma bênção e uma maldição, porque os investidores, ao comprarem ações dessas empresas, estão apostando tanto em Musk quanto nas próprias empresas.”
Esse risco de dependência de uma pessoa-chave, às vezes chamado de risco do homem-chave, não é novidade, alguns acionistas da Tesla tentaram bloquear os pacotes de remuneração de Musk, em parte porque acreditam que a empresa é muito dependente dele.
Tampouco é um problema exclusivo de Musk: qualquer empresa com um CEO com status de celebridade, cuja liderança é percebida como vital para os negócios, enfrenta um dilema semelhante.
