Moradores de Ceuta, enclave espanhol no norte da África, foram às ruas nesta quarta-feira (2) para protestar contra a forma como Madri lidou com a crise migratória causada pela onda mortal de travessias na fronteira em julho, quando pelo menos 72 mil pessoas cruzaram a fronteira vindas do Marrocos.
Milhares de pessoas marcharam pelas ruas da cidade de cerca de 80 mil habitantes em um protesto que coincidiu com o Dia de Ceuta. Agitando bandeiras espanholas e soprando apitos, elas entoavam: “Ceuta não está à venda, Ceuta deve ser defendida”.
Um cartaz dizia: “SOS. Europa, salve-nos do nosso governo traidor”, enquanto alguns exigiam que as autoridades “expulsassem os invasores” e outros pediam a renúncia do primeiro-ministro Pedro Sánchez. Manifestações também ocorreram em outras cidades da Espanha, incluindo Madri, Barcelona e Bilbao.
Quase cinco semanas após o aumento do fluxo migratório, mais de 10 mil migrantes, incluindo menores desacompanhados, permanecem isolados em acampamentos improvisados ou espalhados pelas ruas e praias do enclave, de acordo com as autoridades de Ceuta.
A presença deles desencadeou protestos quase diários por parte dos moradores locais contra a gestão da crise pelo governo espanhol, com manifestantes exigindo que os migrantes sejam enviados de volta aos seus países de origem ou redistribuídos por toda a Espanha.
“A resposta foi inadequada, tardia e, para piorar tudo, envolveu uma completa negligência por parte do governo.
