O Brasil não enfrenta uma crise fiscal que justifique medidas de austeridade, de acordo com o coordenador do programa de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, José Sérgio Gabrielli.
Em entrevista à Bloomberg, publicada nesta quarta-feira (2), o também ex-presidente da Petrobras afirmou que o ajuste das contas públicas deve priorizar a eficiência de gastos, e não cortes que afetem políticas sociais.
Gabrielli citou a situação das reservas internacionais, superiores a US$ 300 bilhões, e o colchão de liquidez do Tesouro, que seria suficiente para cobrir quase oito meses de vencimentos da dívida.
Em sua avaliação, esses fatores dão ao país margem para enfrentar os desafios fiscais sem recorrer a cortes expressivos.
Na entrevista, ele ainda criticou propostas defendidas por integrantes do mercado financeiro para conter o avanço das despesas, entre elas o fim dos aumentos reais do salário mínimo e mudanças nas regras dos gastos obrigatórios com saúde e educação.
“Essas duas coisas são praticamente impossíveis de aceitar, porque um governo comprometido com o combate à desigualdade e com a ampliação dos gastos sociais não pode aceitá-las”, afirmou.
O coordenador do programa de governo petista reconheceu, porém, que há espaço para melhorar as despesas públicas. Entre as alternativas, mencionou a revisão de subsídios considerados ineficientes e mudanças na distribuição das emendas parlamentares no Orçamento.
