Hollywood está enfrentando uma crise e se afastou em grande parte do Festival de Veneza deste ano, abrindo espaço para uma programação marcada pela política global e pelas turbulências sociais, afirmou na terça-feira o diretor do evento.
O diretor do festival, Alberto Barbera, disse que a programação ousada reflete o crescente envolvimento dos cineastas com os acontecimentos contemporâneos, que vão desde o conflito em Gaza e a invasão russa da Ucrânia até a ascensão dos bilionários e as medidas de controle da imigração nos Estados Unidos.
O festival de cinema mais antigo do mundo, que começa na quarta-feira e vai até 12 de setembro, tradicionalmente marca o início da temporada de premiações, mas muitos dos candidatos ao Oscar apoiados pelos estúdios, que antes lotavam sua programação, estão ausentes, assim como estiveram em Cannes, em maio.
“O problema é Hollywood. Eles enfrentam uma enorme crise”, disse Barbera à Reuters. “Estão produzindo menos filmes, que são mais caros. Alguns deles dão muito certo e outros, ao contrário, são um desastre comercial. Por isso, não sabem o que fazer.”
Especialistas do cinema afirmam que orçamentos mais apertados reduziram o entusiasmo dos estúdios por estreias caras em Veneza. Eles também temem críticas devastadoras, como as que afundaram a sequência de “Coringa” em Veneza em 2024, antes mesmo de poderem apresentá-la ao público pagante.
No entanto, Veneza não vai ficar sem o brilho das estrelas.
