Relatório da Polícia Federal expôs a proximidade entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que atua no processo em que o empresário é réu. Horas após a divulgação do documento, cujo teor foi revelado pelo Estadão, o chefe do Ministério Público Federal (MPF) pediu o arquivamento do caso.Ele alega que o relator, o ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, determinou à PF a produção do relatório sem ter competência para isso.O banqueiro utilizou um emissário, o advogado Ciro Soares, para conversar com Gonet e incluí-lo no seleto rol de convidados de uma degustação de charutos e do uísque Macallan realizada em Londres. A autoridade aceitou.Pelas informações do relatório da PF, cujo sigilo foi derrubado por Mendonça nesta terça-feira, 1º, os gestos de Vorcaro em direção a Gonet começaram em março de 2025.No dia 15 daquele mês, Ciro Soares enviou ao banqueiro uma foto junto ao procurador-geral. Eles estavam de camisas brancas e óculos escuros em um local ao ar livre com coqueiros no fundo. “Liga aqui. Ele quer falar com você”, disse.Depois de quatro tentativas frustradas, Vorcaro e Gonet conversaram por quase quatro minutos. Mantiveram contato nos dias seguintes. Em 28 de março, Gonet disse que estava “com saudade” de Vorcaro e disse estar torcendo por ele.“Que bom! Estou na torcida por vocês”, disse às 21 horas e 22 minutos. “Já estou com saudade de você! Estou embarcado para Roma”, complementou.
Mensagem de Gonet para Vorcaro: ‘Tomara que tenha charuto e Macallan’
Por Matheus Alleoni · Jovem Pan
