Relendo o livro “Eu sou Pelé”, escrito por Benedito Ruy Barbosa, em 1961, o Rei relembrou um caso que marcou a cidade de Bauru, onde ele motou com os pais, até a adolescência, antes de ir para o Santos:
“(…) Aconteceu que, nessa época, comecei a fazer amizade com uma turminha do barulho e, logicamente, meu comportamento no grupo [escolar] caiu muito. Matava aulas para jogar futebol num campinho que ficava e fica, ainda, atrás do campo velho do Noroeste, aquele que pegou fogo, durante uma partida entre o Noroeste e o São Paulo, há algum tempo. (…).”
Confesso que não me recordava de ter lido sobre esse incêndio e, então, recorri aos jornais da época. A Folha da Noite, edição de 24 de novembro de 1958, registrou o fato do dia anterior, um domingo:
“Incêndio de grandes proporções ocorreu ontem no Estádio do Noroeste, quando lá jogavam as equipes local e do São Paulo F.C. As gerais de madeira da praça de esportes do clube bauruense foram devoradas rapidamente pelas chamas. O mais que puderam fazer os bombeiros foi impedir que o fogo ganhasse outras dependências do Estádio. Ainda assim, algumas residências vizinhas ao campo foram bastante danificadas. O número de vítimas foi exíguo e nenhuma delas sofreu ferimentos fatais por verdadeiro milagre. Atendendo a orientação do serviço de policiamento, os torcedores não se deixaram tomar de pânico e se retiraram do Estádio sem atropelos.
