Uma cena angustiante se repete todos os anos, a cada edição do Enem e dos vestibulares: o cronômetro dispara, a folha de redação está em branco e o candidato tem o tema em mãos, mas não sabe por onde começar. O “branco” acontece mesmo entre estudantes bem preparados nas disciplinas.
Para Bruno Alvarez, head de Ensino e Inovações na Geekie Educação, o problema raramente é falta de repertório. A dificuldade surge antes mesmo da escrita, na etapa de leitura do tema, momento em que o candidato precisa entender exatamente o que está sendo pedido e definir o caminho que o texto vai seguir.
Escrever bem virou sinal de suspeita de uso de IA?
Segundo o especialista, o tema do Enem sempre traz um recorte, geralmente marcado por uma palavra abstrata, como “desafios”, “invisibilidade” e “estigma”. É essa palavra que define qual problema o texto precisa resolver, e ignorá-la é o primeiro passo para perder o fio da meada.
O passo seguinte é transformar a leitura em uma tese. Nada acadêmico: é apenas uma frase que declara a posição do candidato, e Alvarez propõe um teste para saber se ela existe, completar a estrutura “vou defender que X, porque A e porque B”. Quem não consegue fechar essa frase ainda tem um assunto, não uma tese.
