O procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, pediu nesta 3ª feira (1º.set.2026) a nulidade do relatório da Polícia Federal que cita relações dele com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O parecer afirma que houve abuso de poder pelo relator do caso, ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Leia a íntegra da manifestação (PDF - 328 kB)
“Ao juiz não cabe acusar, menos ainda ao juiz cabe realizar investigações pré-processuais. Não lhe é dado valer-se da polícia judiciária como sua longa manus para atividades que não lhe foram assinaladas”, afirmou Gonet.
Segundo a manifestação, o relator não pode autorizar uma investigação contra um ministro da Corte e deveria ter encaminhado o pedido para o plenário do STF.
Gonet ressaltou que o relatório da PF dedicou 190 das 182 páginas para falar sobre o ministro Alexandre de Moraes. A tese central da manifestação é que Mendonça quis que fosse iniciada uma investigação sobre um colega, integrante da Corte, mesmo não tendo uma decisão do plenário da corte.
“O próprio relator já havia ordenado que lhe entregassem o dispositivo informático contendo todos os dados que vieram a ser postos na peça da polícia. De toda forma, é certo que o relator quis que fossem minudenciados. Não importa o grau de investigação que a providência constitui, é inegável que houve imersão em elementos dos autos para buscar indicativos de envolvimento do Ministro Alexandre de Moraes em ilícitos”, declarou o PGR.
