A poucas semanas do primeiro turno das eleições brasileiras, em 4 de outubro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) corre contra o tempo para conter os impactos da inteligência artificial (IA) na disputa eleitoral. O tribunal deve definir nesta terça-feira, 1º, novos limites para o uso de conteúdos gerados ou alterados por IA, diante do avanço de publicações falsas e manipuladas nas redes sociais e do uso de chatbots por eleitores.
O caso que chega ao TSE envolve o senador Flávio Bolsonaro, principal candidato presidencial da direita, cuja convenção partidária, em julho, provocou contestações judiciais após a exibição de um avatar de IA de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em prisão domiciliar e proibido de se dirigir ao público, Bolsonaro apareceu representado digitalmente durante o evento. O episódio levantou dúvidas sobre os limites do uso da tecnologia em campanhas e sobre a capacidade da Justiça Eleitoral de preservar a integridade do processo.
Segundo levantamento do Instituto Democracia em Xeque citado pela Reuters, políticos alinhados aos candidatos que lideram as pesquisas, Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, compartilharam centenas de publicações formalmente identificadas como produzidas por IA em um intervalo de 15 dias. As regras eleitorais para 2026 determinam a identificação desse tipo de conteúdo e também proíbem deepfakes, além de impedir que sistemas de IA recomendem ou classifiquem candidatos.
