A recente ocorrência de severos tufões na China e o fechamento de grandes terminais marítimos, como os de Xangai e Ningbo, acenderam um alerta na cadeia automotiva brasileira.
Com mais de 800 navios aguardando liberação nos portos asiáticos e cotações de frete marítimo saltando de US$ 3 mil para mais de US$ 9.500 por contêiner, a ABIDIP (Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Pneus) prevê restrições severas na entrega de produtos no Brasil a partir de setembro.
A ameaça imediata de desabastecimento no mercado de reposição escancara a forte dependência do país na importação de pneus. Segundo dados da ANIP (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos), o avanço acelerado dos itens importados nos últimos anos deixou o abastecimento nacional vulnerável a oscilações climáticas e gargalos logísticos internacionais, colocando em risco a produção local, empregos e investimentos da indústria instalada no Brasil.
O risco de falta de pneus nas prateleiras brasileiras ocorre em meio a uma mudança estrutural no setor automotivo nacional. De acordo com a ANIP, em 2019, as fabricantes instaladas no país respondiam por cerca de 70% das vendas do mercado de reposição. Atualmente, a participação da indústria local caiu para perto de 30%, enquanto os produtos importados passaram a dominar o mercado.
No primeiro semestre de 2026, as indústrias nacionais comercializaram 17,8 milhões de pneus, ante 19,1 milhões no mesmo período do ano anterior.
