A economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 em relação aos três meses anteriores, segundo dados do PIB (Produto Interno Bruto) divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Apesar de o resultado ter ficado ligeiramente acima das projeções do mercado, o economista Henrique Danyi, do Santander, avalia que a qualidade do dado é mais fraca do que o número principal sugere.
Segundo Danyi, o crescimento foi fortemente impulsionado pelo setor agropecuário, considerado menos dependente das condições cíclicas locais e mais associado ao ciclo de commodities.
“Quando consideramos o PIB ex-agro, isso cresceu só 0,2%”, afirmou. O principal ponto de atenção, na avaliação do economista, foi a contração de 0,4% no consumo das famílias, reflexo da desaceleração do mercado de trabalho, da perda de fôlego da renda e das condições de crédito mais restritivas.
O economista destacou que o endividamento elevado das famílias, combinado com o comprometimento de renda e com uma política monetária restritiva, contribuiu para a perda de ritmo mais visível no consumo.
Danyi também apontou que o impulso fiscal do primeiro semestre, mesmo sendo expressivo, não foi suficiente para sustentar o consumo das famílias em patamar mais elevado.
“As famílias estão numa situação mais fragilizada, mais endividada, elas não conseguem transformar todo recurso que chega na ponta em consumo final”, explicou.
