Este ano, o fenômeno El Niño está avançando com velocidade sem precedentes. O aquecimento atípico e acelerado das águas do Oceano Pacífico acende um alerta global pelo potencial de virar um “Super El Niño”, ameaçando alterar drasticamente o clima no Brasil ao combinar secas extremas em algumas áreas com tempestades severas e ondas de calor intensas em outras.
Para entender os impactos e a física desse cenário, o programa Olhar Espacial da última sexta-feira (21) recebeu a meteorologista Ana Cristina Palmeira. Doutora em Ciências pela Universidade de São Paulo (USP) e professora adjunta da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a pesquisadora é especialista em interação oceano-atmosfera e meteorologia marítima.
Durante a entrevista, ela explicou que o Oceano Pacífico é o verdadeiro motor do clima global. Em condições normais, os chamados ventos alísios empurram a água quente para o lado oeste do oceano. Quando esses ventos perdem força, o calor represado se desloca pelo mar em direção à costa da América do Sul, alterando o padrão de chuvas e temperaturas pelo planeta. “Repare que não é só a superfície, é uma camada profunda, como se fosse uma piscina mesmo, e é um estoque de energia muito grande. Conforme vai migrando para leste, todo aquele mecanismo de onde o ar subia e descia reverte completamente”. A especialista ressalta que qualquer mudança no gigantesco Oceano Pacífico provoca reflexos em todo o planeta.
