Em meio aos debates inflamados sobre as rotas para combater as mudanças climáticas, a tecnologia de CCS (Captura e Armazenamento de Carbono) frequentemente se vê no centro de uma falsa dicotomia. Críticos a rotulam como uma “distração”, enquanto defensores a apresentam como panaceia. A realidade, contudo, é estritamente pragmática: alcançar as metas globais de emissões líquidas zero (net-zero) sem o uso em escala do CCS é uma equação matematicamente e economicamente inviável.
O Painel IPCC (Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) e a AIE (Agência Internacional de Energia) apontam sistematicamente que o CCS não é um substituto para as fontes renováveis, mas, sim, um pilar complementar indispensável. A transição para matrizes eólicas e solares avança em ritmo acelerado na geração elétrica, mas a economia global depende de setores cujas emissões residuais são praticamente impossíveis de eliminar apenas com a eletrificação. Mesmo na geração de energia elétrica, o uso de fontes fósseis será inevitável para dar segurança energética, devido à intermitência das renováveis. Essa eletricidade, porém, deverá ser de carbono neutro.
Indústrias pesadas como as de cimento, aço e produtos químicos, incluindo os fertilizantes, dos quais o Brasil é totalmente dependente, possuem emissões inerentes aos seus processos químicos de fabricação.
