Cibercriminosos de língua russa utilizaram o assistente de inteligência artificial (IA) Cursor para planejar e executar invasões contra dezenas de empresas em pelo menos nove países. Associado ao ransomware Aurora, o grupo conseguiu contornar as travas de segurança do sistema ao alegar falsamente que as invasões faziam parte de testes autorizados.
A Cursor e a controladora, a SpaceX, não responderam aos pedidos de posicionamento sobre o caso. A Anthropic, dona do modelo de linguagem utilizado pela ferramenta, também não se manifestou.
A dinâmica dos ataques foi detalhada em relatórios independentes das empresas de cibersegurança Gambit Security e CloudSEK, além de uma apuração da agência de notícias Reuters. Os pesquisadores tiveram acesso direto aos registros de bate-papo e às ferramentas dos criminosos devido a uma falha de configuração em um servidor mantido pelo próprio grupo, que ficou exposto na internet sem exigir senha.
Logística dos ataques
Segundo a investigação, o operador humano usava comandos curtos e pedia ao agente de IA que encontrasse senhas ativas e descobrisse permissões de usuários nos sistemas invadidos. A inteligência artificial respondia com sugestões de comandos e estratégias de exploração de vulnerabilidades. Embora os pedidos tenham sido recusados algumas vezes pelas regras internas do software, o hacker reiniciava o diálogo e afirmava que atuava em um ambiente de simulação para liberar as respostas.
