Diante do avanço da colonização europeia e das profundas transformações impostas ao norte da Austrália no final do século XIX, comunidades aborígenes encontraram na arte rupestre uma ferramenta de resistência cultural. É o que uma nova pesquisa arqueológica aponta como hipótese sobre a produção de pinturas monumentais de seres ancestrais - que ganhou força justamente em meio aos impactos da chegada dos estrangeiros e da caça comercial de búfalos na região.
O estudo foi liderado por Paul S.C. Taçon, arqueólogo e especialista em arte rupestre, da Griffith University, em colaboração com Sally K. May, Andrea Jalandoni e Charlie Mungulda, pesquisador e guardião tradicional da região de Awunbarna.
Para quem tem pressa:
Pesquisadores analisaram 165 sítios de arte rupestre em Awunbarna, no norte da Austrália, para entender como os povos aborígenes podem ter preservado suas tradições durante a chegada dos europeus;
A equipe encontrou 29 representações da Serpente Arco-Íris, figura importante nas tradições aborígenes, incluindo uma com mais de 6 metros de comprimento;
Segundo os pesquisadores, o aumento de grandes representações de seres ancestrais pode ter ajudado as comunidades a manter e reforçar conhecimentos e tradições culturais diante das mudanças provocadas pela colonização.
Um padrão escondido nas pinturas
Awunbarna, região no Território do Norte da Austrália, reúne uma grande quantidade de pinturas rupestres produzidas em diferentes períodos.
