O beija-flor bate as asas entre 50 e 80 vezes por segundo, o suficiente para produzir o zumbido que ouvimos quando próximos a ele. Esse ritmo consome tanta energia que, à noite, o coração da ave quase para.
Isso acontece para ela não morrer de fome enquanto dorme. Essa pausa se chama torpor: o metabolismo despenca até 95%, os batimentos cardíacos caem de mais de mil por minuto para cerca de 40.
Bater asas rápido custa caro em energia
O beija-flor tem o metabolismo mais acelerado entre os vertebrados terrestres. Voando, ele consome oxigênio a um ritmo cerca de dez vezes maior que o de um atleta humano em pico de esforço.
O coração acompanha essa demanda. Em repouso, bate entre 250 e 500 vezes por minuto; em voo, pode passar de mil batimentos por minuto.
Para sustentar esse ritmo, o beija-flor precisa se alimentar o dia inteiro, dezenas de vezes. Ele se alimenta principalmente do néctar das flores, líquido rico em açúcar que vira combustível quase instantâneo. Insetos e aranhas completam a dieta, fornecendo a proteína que o néctar não tem. Mesmo assim, o corpo não consegue guardar energia suficiente para passar a noite inteira ativo.
Se mantivesse a temperatura corporal normal, de cerca de 40°C, o beija-flor gastaria as reservas rápido demais. O risco de morrer de fome antes do amanhecer seria real.
A noite quase mata o beija-flor de fome
É aí que entra o torpor, um estado parecido com uma mini-hibernação que se repete todas as noites.
