Nos últimos doze meses, Washington, D.C., adotou três medidas migratórias que, a longo prazo, podem se mostrar contraproducentes para os Estados Unidos. Primeiro, impôs uma taxa de US$ 100.000 para os vistos H-1B; segundo, alterou a loteria dos vistos H-1B para favorecer cargos altamente remunerados; e terceiro, editou uma norma final que elimina o status de permanência por tempo indeterminado para estudantes estrangeiros. Em conjunto, essas iniciativas fecham os dois canais que permitiam aos Estados Unidos ampliar o número de cientistas e engenheiros que trabalhavam em seu território: a pós-graduação com treinamento prático e o patrocínio direto para o visto H-1B. Como efeito inverso, essas medidas aumentam a atratividade do Brasil para reter capital humano e até para se tornar um polo de atração de talentos destinados a empresas de desenvolvimento e pesquisa tecnológica.
Em setembro de 2025, a Proclamação 10973 impôs uma taxa única de US$ 100.000 para novas solicitações de H-1B de trabalhadores fora dos Estados Unidos. No entanto, em 8 de junho de 2026, um juiz federal em Boston a anulou por completo, qualificando-a como um imposto inconstitucional. A administração do presidente Trump obteve uma breve suspensão dessa decisão, que reinstaurou a cobrança, mas, em 24 de julho, a Corte de Apelações do Primeiro Circuito recusou-se a mantê-la, deixando o Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS) “sem base legal para cobrá-la” por ora.
