Na coluna passada, escrevi que a gente conta demissão, mas não conta ausência. Esta semana a McKinsey publicou o State of AI 2026, e o mercado leu o mesmo relatório de duas maneiras opostas. Fui atrás do número do meio.
Os dois lados da discussão, e por que discordo dos dois
De um lado, a manchete otimista: a IA corporativa enfim entrou no caminho do retorno. Do outro, a manchete oposta, tirada do mesmo PDF: 94% das empresas não conseguem mexer no resultado com IA.
As duas saíram do mesmo estudo, com 1.719 executivos ouvidos. Discordo das duas, e o motivo está no número que nenhuma citou: 37% das empresas atribuem algum impacto de IA no próprio EBIT. No ano passado era praticamente o mesmo.
Não é fracasso, nem decolagem. É uma linha reta. O gasto explodiu, o resultado não se moveu. Só 6% se qualificam como alto desempenho, apontam pelo menos 5% do EBIT vindo de IA. É desse 6% que sai o “94% não conseguem”, e é do salto no uso de agentes nas empresas grandes, de 27% para 40%, que sai o “caminho do retorno”. Mesmo relatório, duas manchetes, nenhuma mentindo.
O escândalo não é o número. É o que foi decidido com base nele.
Porque, enquanto o EBIT ficava parado, o quadro de pessoal não ficou.
A Challenger, Gray & Christmas contabilizou 477.033 cortes anunciados nos Estados Unidos de janeiro a julho, e a IA lidera as razões declaradas há cinco meses seguidos, 24% do total do ano.
E aqui está o dado que dá o tom.
