Por 61 votos a 20, o Senado selava, há exatos dez anos, a cassação do mandato da então presidente Dilma Rousseff. Apesar da promessa de mudança surgida naquele momento, o cenário político não poderia ser mais diferente do esperado.
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Embora algumas alianças permaneçam, entusiastas do impeachment hoje apoiam o projeto político do PT contra o da direita, encabeçada por Flávio Bolsonaro (PL). Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, ele é o principal herdeiro do movimento conservador impulsionado a partir da cassação de Dilma e da Operação Lava Jato.
O pai da direita?
Em entrevista concedida em abril ao jornal mineiro O Tempo, Eduardo Cunha resumiu seu papel no processo: “Tudo é fruto do meu ato. Sem o meu ato, nada teria ocorrido”. Em dezembro de 2015, quando presidia a Câmara dos Deputados, coube a ele aceitar o pedido de impeachment que daria início ao processo contra Dilma.
Na entrevista, Cunha também aproveitou para provocar o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), ao dizer que muitos dos que hoje atuam na política “ainda usavam fraldas” em 2016. O ex-presidente da Câmara revisitou ainda sua avaliação sobre as pedaladas fiscais atribuídas a Dilma e reconheceu o componente político do impeachment. “Ela tratava com os partidos e não conseguia ou não queria cumprir”, declarou.
