Mãe de Nala, de quase 2 anos, a cantora Iza, 35, refletiu sobre criar a filha como uma criança negra consciente de sua potência e protegida pelo afeto.
Ao olhar para o futuro, a cantora resgata memórias da própria infância e destaca, em entrevista à CNN Brasil, a importância do acolhimento e do combate firme a qualquer tipo preconceito.
“Eu me transporto para quando eu estava na escola e sofria racismo. Sempre fui bolsista, então sempre estive em ambientes onde as pessoas eram muito diferentes de mim e eu ouvia todo tipo de coisa. E aí eu voltava pra casa e a minha mãe sempre fazia questão de ir para a escola. Se ela tivesse que ir na escola três vezes por semana, ela iria”, recorda.
Embora reconheça os avanços ao longo dos anos, Iza entende que o racismo ainda é uma realidade presente no Brasil. Para ela, o combate a esse cenário começa na recusa em aceitar a violência como algo normal.
“Eu sinto que desde que eu nasci muitas coisas mudaram, mas eu acredito que ela ainda vai passar por muitas coisas. A gente precisa tentar mudar a realidade ao nosso redor. Então, acho que o conselho que eu posso dar pra ela, já que eu acho que a maldade, a burrice, a ignorância, tudo isso é sobre racismo e vai continuar existindo infelizmente, é que ela nunca pode abaixar a cabeça e nunca pode normalizar”, diz.
“A minha mãe nunca normalizou. Ela não pensava: ‘poxa, mas já foi semana passada’. Ela ia sempre que era necessário”, adiciona.
