A reforma tributária vai alterar a relação entre grandes empresas e seus fornecedores de menor porte. Em entrevista à Jovem Pan, Cláudio Fernandes, CEO da Midas, avalia que negócios despreparados para as novas regras correm o risco de perder espaço nas cadeias de fornecimento. Segundo ele, empresas de médio e grande porte já se movimentam para entender os efeitos da mudança, mas boa parte dos pequenos empresários ainda não percebeu o que está em jogo.
O cerne do problema está na nova dinâmica dos créditos tributários. Dependendo da operação, o imposto destacado na nota fiscal passa a gerar crédito para quem contrata, o que significa que duas empresas com o mesmo serviço e o mesmo preço podem deixar de ser equivalentes aos olhos do cliente.
Um estudo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), o “Raio-X do Simples Nacional em 2025”, mostra que mais de 70% das empresas optantes pelo Simples Nacional não vendem diretamente ao consumidor final, atuando em operações entre empresas, justamente onde a geração de créditos tributários pode pesar na escolha de fornecedores. Setores como confecções e logística aparecem entre os mais expostos.
Se uma marca precisa contratar um serviço e tem duas opções ao mesmo preço, passa a considerar também o crédito que conseguirá aproveitar em cada uma.
