Falta pouco mais de um mês para as eleições. Os candidatos prometem melhorar a segurança, a saúde, a educação, a infraestrutura e a economia.
Nada disso os diferencia. Não existe candidato a favor da violência, do desemprego ou do mau atendimento nos hospitais. O que deveria distinguir uma candidatura da outra não é a lista de boas intenções. É o caminho escolhido para transformá-las em realidade. E é justamente aí que começa o silêncio.
Os candidatos descrevem os problemas, repetem números, culpam os adversários e anunciam prioridades. Mas quase ninguém explica o essencial: como pretende fazer.
Como financiará as promessas? Qual despesa será revista? Qual privilégio será enfrentado? Que medida depende apenas do Executivo? Qual é a lei? Qual precisa de uma emenda à Constituição? Em quanto tempo os resultados aparecerão?
Há duas explicações possíveis, e nenhuma tranquiliza. Ou os candidatos não conhecem a dimensão dos problemas, ou conhecem, mas evitam dizer a verdade porque o “como fazer” cobra escolhas, contraria interesses e pode custar votos. Prometer distribuir esperança. Governar distribui responsabilidades.
O Brasil trata sintomas
O Brasil se parece com um paciente cuja doença se espalhou por vários órgãos. Os sintomas aparecem na insegurança, nas filas da saúde, na baixa qualidade da educação, na infraestrutura insuficiente, no crédito caro e na perda de competitividade das empresas.
Em vez de enfrentar as causas, o país acumulou tratamentos emergenciais.
