Toda campanha presidencial produz a sensação de que a eleição pode ser reinventada a cada semana. Uma entrevista ruim, uma denúncia, um debate ou uma peça de propaganda parecem capazes de mudar tudo. Esses eventos importam. Mas eles atuam sobre um terreno que já existe. E, para um presidente que tenta a reeleição, o dado mais importante desse terreno é a avaliação de seu governo.
A aprovação não determina o resultado, mas define o tamanho do reservatório eleitoral disponível. A campanha decide quanto desse reservatório será convertido em voto. É justamente essa passagem, da avaliação do governo para a escolha na urna, que a nova bateria de pesquisas estaduais permite observar.
Nos 25 estados reunidos no gráfico, a intenção de voto em Lula equivale, em média simples, a 76% da aprovação de seu governo. A relação é muito forte: a correlação entre as duas medidas chega a 0,99. Onde Lula é mais aprovado, tende também a receber mais votos; onde a aprovação cai, sua intenção de voto recua quase na mesma direção. Isso não é uma relação causal medida em laboratório, mas é uma associação descritiva poderosa, e politicamente intuitiva.
Aprovação de governo vira voto na eleição? Leia análise de Felipe Nunes
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A média, porém, esconde diferenças importantes. No Rio Grande do Norte, Lula converte 90% da aprovação em voto. Maranhão e Sergipe chegam a 88%, e Piauí e Pernambuco, a 87%.
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