Um bom projeto de infraestrutura precisa fazer sentido econômico, mas isso, por si só, não garante que haverá investidores dispostos a financiá-lo. Quem compromete capital em um empreendimento de longo prazo não analisa apenas a demanda esperada, a taxa de retorno ou a importância estratégica da obra. Também quer saber se o projeto será concluído no prazo, dentro das condições previstas e com capacidade de gerar a receita projetada.
Essa preocupação se tornou ainda mais relevante no Brasil. Em 2025, a iniciativa privada respondeu por 84% dos investimentos em infraestrutura, dentro de um volume total de cerca de R$ 280 bilhões. Ao mesmo tempo, o país ainda convive com um hiato estimado em aproximadamente R$ 218 bilhões por ano. O dado mostra que precisamos de mais capital privado, mas também de melhores condições para atraí-lo e mantê-lo nos projetos ao longo do tempo.
Infraestrutura reúne características que tornam essa decisão mais complexa. São investimentos de longo prazo, com desembolsos elevados antes do início da geração de receita e exposição a atrasos, aumento de custos, problemas técnicos ou dificuldades financeiras do contratado. Em estruturas de project finance, essa questão é ainda mais sensível, porque o financiamento se apoia justamente nos fluxos de caixa futuros do próprio empreendimento.
