Mesmo com forte pressão dos setores de transportes, logística e agronegócio, o governo federal não pretende voltar atrás na decisão de não realizar a dragagem de manutenção no rio Tapajós, no trecho entre Itaituba e Santarém, no Pará, uma das principais vias de escoamento de grãos e combustíveis pelos portos das regiões Norte e Nordeste.
As áreas do Planalto que monitoram a logística na região avaliam uma solução rodoviária para a possibilidade de a navegação se tornar inviável nos próximos meses, provável resultado da seca causada pelo El Niño, que deve reduzir as chuvas no Norte e provocar queda no nível das águas do Tapajós. Representantes do setor produtivo defendem que, se a dragagem não for realizada, os efeitos climáticos podem paralisar as atividades na região por até 4 meses e causar prejuízos de quase R$ 1 bilhão.
O Ministério de Portos e Aeroportos afirma que há fluxo rodoviário regular na região e trabalha com planos de contingência que estabelecem intervenções nas rodovias para o eventual aumento do número de caminhões. “Em caso de necessidade de escoamento de cargas de maior porte, o corredor rodoviário já constitui alternativa logística efetivamente utilizada na região”, disse ao Poder360.
Segundo o ministério, as avaliações realizadas até o momento indicam que a navegação local, feita predominantemente por embarcações de menor porte e menor calado, poderá ser mantida mesmo em cenário de redução do nível das águas.
