Uma crise no Oriente Médio pode parecer distante de atuar tão diretamente no funcionamento da logística brasileira, desde o abastecimento de veículo até a compra no supermercado.
Mas basta o petróleo subir para que o impacto comece a percorrer milhares de quilômetros até chegar aos caminhões que transportam praticamente tudo o que circula pelo país.
Em 2026, os recentes impasses envolvendo o Estreito de Ormuz, rota por onde passava cerca de um quinto da oferta mundial de petróleo e gás antes do início do conflito, voltaram a colocar o mercado de energia em alerta.
Mesmo com tentativas de retomada do tráfego, o fluxo na região continua irregular e o petróleo segue sensível a qualquer novo sinal de escalada.
É justamente essa dependência do mercado internacional que transforma o diesel em uma das maiores vulnerabilidades da logística brasileira.
Segundo um levantamento da TruckPag - empresa de tecnologia voltada para setor de frotas pesadas - entre janeiro e julho deste ano, o preço médio do litro do diesel S10 acumulou alta de 12,3%.
A pesquisa contou com dados de abastecimento em mais de 4,7 mil postos e cerca de 10 mil bombas de combustível em todo o país.
O combustível saiu de uma média de R$ 5,78 em janeiro para R$ 6,49 em julho e, no meio do caminho, chegou a atingir R$ 7,13 por litro em abril. A queda de 9% em relação ao pico trouxe algum alívio para o setor, mas não devolveu o diesel aos patamares do início do ano.
