A abundância de sol, espaço e minerais críticos não basta para que o Brasil produza internamente os equipamentos necessários para gerar energia solar. O país depende de uma cadeia global amplamente controlada pela China. O gigante asiático é a origem de 99% dos painéis solares importados pelo Brasil. A participação é de 62% nos kits completos de geradores fotovoltaicos e de 95% nas células solares. As compras atendem as empresas que montam painéis e as que revendem sistemas prontos no mercado doméstico.
A cadeia dos painéis começa com o beneficiamento do quartzo e a produção do silício metalúrgico. O material precisa ser purificado até atingir o chamado grau solar e, depois, transformado em lingotes. Só 5 países têm capacidade industrial para alcançar o nível de pureza necessário. Nenhum em escala comparável à chinesa. De acordo com dados da AIE (Agência Internacional de Energia), a China concentra aproximadamente 86% da capacidade de produção do chamado polissilício.
Os lingotes são cortados em lâminas finas, chamadas wafers, que passam por tratamentos químicos para se transformar em células fotovoltaicas. Essas células são conectadas, encapsuladas e montadas em vidro e estruturas de alumínio, dando origem aos módulos ou painéis solares. A concentração chinesa chega a 97% na fabricação de wafers, 84% nas células e 78% nos módulos.
