Quando o presidente Vladimir Putin apresentou suas justificativas para a anexação ilegal da Península ucraniana da Crimeia pela Rússia, em 2014, ele disse que não poderia “permitir que as forças da Otan acabassem chegando à Crimeia e a Sebastopol, terra da glória militar russa, alterando fundamentalmente o equilíbrio de forças na região do mar Negro”.
Doze anos depois, a Marinha russa já não domina mais a região. E exportar mercadorias pelo mar Negro está cada vez mais difícil para a Rússia devido aos ataques de drones da Ucrânia. Só é possível reorganizar parcialmente a logística.
Ataques ucranianos intensificados contra Novorossiysk, o maior porto comercial russo no mar Negro, provocaram interrupções significativas nos embarques de petróleo e grãos nas últimas semanas.
Se os ataques continuarem na mesma intensidade, as consequências para os exportadores e os cofres do governo russo poderão ser significativas, segundo especialistas ouvidos pela DW.
Por que a Ucrânia ataca Novorossiysk
Novorossiysk é um dos principais centros de exportação da Rússia desde o século 19 e é até hoje o maior porto do país em volume de carga, além de um dos maiores da Europa. Até 1/3 das exportações russas de grãos passa pelo terminal, localizado próximo às principais regiões agrícolas do país. O porto também escoa petróleo bruto, metais e mercadorias em contêineres.
Os recentes ataques ucranianos com drones marítimos e aéreos afetaram gravemente os embarques, especialmente os de grãos.
