A Libéria é um depósito de descartes dos Estados Unidos, ou um lugar onde uma nova geração de recém-chegados pode construir uma vida nova?
Essa é a pergunta que os liberianos fazem a si mesmos após a chegada à capital, Monróvia, das primeiras pessoas deportadas dos Estados Unidos para o país da África Ocidental.
As 20 pessoas que vieram no voo da Louisiana foram as primeiras a ser enviadas sob um acordo que pode resultar na transferência de até 1.200 pessoas para a Libéria, um país com menos de 6 milhões de habitantes, muitos deles descendentes de negros americanos que foram escravizados.
Autoridades de Monróvia informaram que os recém-chegados eram provenientes de “países da África e do hemisfério ocidental”.
A Libéria é um dos vários países que concordaram em receber migrantes deportados por Washington no âmbito da política de repressão à imigração do governo Trump. Essas pessoas chegam a uma nação cuja história está profundamente ligada à migração vinda dos EUA.
Há quase dois séculos, negros americanos livres e ex-escravizados atravessaram o Atlântico para se estabelecer no que viria a ser a Libéria, nome que significa “terra dos livres”.
Agora, um país moldado em parte por essa migração está acolhendo pessoas que os EUA querem remover.
Para os liberianos, isso despertou sentimentos contraditórios em um país que ainda se recupera de uma longa e sangrenta guerra civil.
