Num mundo do vinho cada vez mais globalizado, em que Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Merlot e Pinot Noir atravessaram fronteiras e passaram a ser cultivadas praticamente em todos os continentes, há algo de fascinante nas castas que permaneceram intimamente ligadas à terra onde nasceram. São uvas que não apenas produzem vinho: carregam consigo uma história, uma paisagem, tradições agrícolas e, muitas vezes, a memória de povos inteiros. Conhecer algumas dessas variedades autóctones é também compreender como o conceito de terroir ultrapassa a simples combinação de solo e clima.
Na Sicília, a Catarratto é uma dessas variedades inseparáveis da identidade insular. Há séculos cultivada na ilha, especialmente nas províncias de Trapani, Palermo e Agrigento, a casta aparece em documentos históricos desde o século XVI e durante muito tempo foi uma das uvas mais plantadas da Sicília. Seus vinhos brancos podem apresentar boa estrutura, acidez moderada a elevada e aromas de frutas cítricas e tropicais, flores, ervas e amêndoas. Hoje, depois de certo período de declínio, o Catarratto voltou a ser valorizado como expressão genuína do território siciliano. No Brasil, podem ser encontrados o Ramarro Catarratto e o Tasca d’Almerita Regaleali Buonsenso Catarratto. É uma excelente companhia para massas com frutos do mar, especialmente spaghetti alle vongole, ou para peixes grelhados.
A francesa Cinsault pertence a outra tradição mediterrânea.
