Crianças e jovens com maior predisposição genética à depressão costumam apresentar sintomas mais fortes, que aumentam de forma mais rápida. Ou seja: quanto maior o risco genético, mais elevados são os níveis iniciais dos sintomas e mais rápida é sua intensificação durante a adolescência. E entre quem tem Transtorno Depressivo Maior, a predisposição genética mais alta também está associada a uma maior frequência de autolesão não suicida.
Essas foram algumas das descobertas de um estudo da Universidade de São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul que aprofunda o que a ciência sabe sobre a propensão de uma pessoa ter depressão com base em sua genética. Eis a íntegra, em inglês (PDF - 1 MB).
A pesquisa investigou o “risco poligênico”, combinação de alterações genéticas que aumentam o risco de desenvolver depressão, em mais de 2.000 crianças e jovens de escolas públicas, de 6 a 23 anos, acompanhados ao longo da infância e no início da vida adulta.
Um dos principais diferenciais foi testar se as ferramentas atuais que a ciência tem sobre esse impacto genético realmente funcionam fora de populações de origem europeia.
“Populações brasileiras miscigenadas seguem ainda muito pouco presentes na genética psiquiátrica”, diz Marcelo Brañas, pesquisador da Faculdade de Medicina da USP e co-primeiro autor, ao lado de Lucas Ito, da Unifesp, do artigo com os resultados publicado no periódico Biological Psychiatry.
