Após um intervalo de quase 20 anos das comédias, Jorge Furtado, 67, volta aos cinemas de humor em seu trabalho mais recente, com filme “Muito Prazer”, que chegou às grandes salas esta semana. Para o cineasta, o gênero ainda é tratado com menos importância do que deveria, ainda hoje.
“Eu acho que a comédia é muito menosprezada, na verdade. E ela é um gênero tão valioso como drama, como a tragédia”, afirma Furtado. Ele lembra que a vontade de fazer “Muito Prazer” surgiu justamente de seu gosto pessoal pelo gênero. “Eu gosto muito de comédia. Eu gosto de assistir comédia. Fico procurando comédias. E, quando encontro uma boa, é um alívio”, diz.
Na visão do cineasta, uma boa comédia não se resume à capacidade de provocar risadas, e o humor também pode ensinar e apresentar personagens que, justamente por serem imperfeitos, despertam identificação no público.
“A gente aprende, a gente se diverte com uma boa comédia, a gente se diverte durante a comédia, mas ela não é só pra rir”, explica. Para Furtado, essa característica está relacionada à própria natureza dos protagonistas do gênero. “Os personagens da comédia, eles são falhos, eles têm problemas. Eles não são heróis. Não é Ulisses, não é o Super-Homem, não é o Homem-Aranha.”
Em vez de figuras extraordinárias, os personagens cômicos costumam enfrentar dificuldades bastante comuns, como problemas financeiros e conflitos familiares.
