O diploma universitário continua sendo um diferencial importante para a ascensão social no Brasil, mas seu peso mudou nas últimas décadas. É o que avalia a cientista política e professora da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo) Tathiana Chicarino.
Para ela, a digitalização do mundo do trabalho e do consumo alterou profundamente a forma como as pessoas enxergam o que significa “melhorar de vida”.
“Ter um diploma universitário não vai te garantir sair daquele extrato socioeconômico que você está, mas a chance de você cair é maior se você não tiver. Então ele ainda é um ativo importante”, afirmou Chicarino em entrevista ao WW Especial.
Segundo a professora, hoje em dia a ascensão social envolve não apenas renda e diploma, mas também as transformações no mundo do trabalho trazidas pela digitalização. Se antes ter um diploma significava conseguir um emprego formal em uma empresa ou fábrica, atualmente boa parte do trabalho está “plataformizado“.
“Tem pessoas que trabalham, têm um trabalho formal, mas também complementam a sua renda nessas plataformas, seja vendendo coisas, seja trabalhando de entrega, seja de motorista de aplicativo e tantas outras”, explicou.
Chicarino também chamou atenção para outra frente de geração de renda que cresceu com a digitalização: a produção de conteúdo nas próprias plataformas, por meio de influenciadores digitais. Para ela, porém, essa é uma promessa que raramente se concretiza.
