No Chile, glaciologistas e geólogos alertam que o recuo acelerado das geleiras nos Andes pode aumentar o risco de enchentes repentinas, deslizamentos de terra e avalanches - vulnerabilidades que podem repetir a tragédia vista na fronteira entre Nepal e China, no Himalaia.
Felipe Ugalde, geólogo e professor da Universidade do Chile, afirmou que o aumento das temperaturas está tornando as geleiras cada vez mais instáveis e pode contribuir para a formação ou drenagem repentina de lagos glaciais.
“A região andina, da Venezuela à Terra do Fogo, não está imune ao que está acontecendo globalmente”, disse Ugalde, acrescentando que os pesquisadores estão buscando determinar se o recuo das geleiras desaparece gradualmente ou desencadeia processos perigosos ao longo do caminho.
O glaciologista Andrés Rivera, da Universidade do Chile, afirmou que o aumento das temperaturas atmosféricas intensifica o derretimento das geleiras, levando a maiores rachaduras e movimentações que podem desencadear deslizamentos de terra, avalanches ou grandes desprendimentos de gelo, principalmente em encostas íngremes.
O Chile já vivenciou grandes eventos relacionados a geleiras no passado.
Em 1989, o rompimento da barragem natural na Laguna del Cerro Largo liberou cerca de 229 milhões de metros cúbicos de água e desencadeou um grande fluxo de detritos.
