O horário eleitoral começou. Mudam as músicas, os cenários, as cores e os candidatos. O roteiro, entretanto, parece o mesmo.
De um lado, promessas cuidadosamente produzidas. Do outro, ataques pessoais, acusações e tentativas de destruir a reputação do adversário. No meio dessa disputa está o eleitor, procurando alguma resposta para os problemas concretos de sua vida.
A crítica não está na existência do confronto. A democracia pressupõe divergência, fiscalização e oposição. O problema começa quando a disputa eleitoral deixa de ser uma comparação de projetos e se transforma em um campeonato de ofensas.
Nesse momento, a política deixa de discutir o país e passa a alimentar a si própria.
O Brasil que ficou fora da propaganda
Enquanto os programas eleitorais apresentam um país quase cenográfico, existe outro Brasil lutando para sobreviver.
É o Brasil das empresas endividadas, das famílias que perderam capacidade de consumo, dos empreendedores sufocados pelo crédito caro e dos produtores rurais que trabalham com margens cada vez menores.
Somente até abril, 268 processos de recuperação judicial, envolvendo 602 CNPJs, foram registrados em 2026. Cada processo possui causas particulares, mas o conjunto funciona como um sinal de alerta.
A recuperação judicial é quase sempre o último recurso de quem ainda tenta continuar produzindo, empregando e pagando suas dívidas.
Mesmo depois das reduções recentes, a taxa Selic permanece em 14% ao ano.
