Por Igor Zolnerkevic
As secas históricas de 2023 e 2024 na Amazônia não só reduziram o volume dos rios, mas alteraram a própria composição da chuva na região. É o que revela um monitoramento diário feito em Manaus (AM), que utilizou isótopos -uma espécie de “impressão digital” da água- para demonstrar como o El Niño e o aquecimento do Atlântico Norte afetaram a origem da umidade e a dinâmica das precipitações.
O estudo liderado por pesquisadores da Unesp (Universidade Estadual Paulista) -um dos primeiros a retomar o uso de técnicas isotópicas em estudos hidroclimáticos na Amazônia em mais de 30 anos - sugere que os isótopos podem sinalizar com antecedência a chegada de períodos de seca prolongados.
Isótopos são versões mais leves ou pesadas dos átomos de um mesmo elemento químico. As moléculas de água (H2O) são formadas de átomos dos elementos hidrogênio e oxigênio. A maioria dos átomos de hidrogênio tem um núcleo atômico feito de só 1 próton. Os núcleos de uma pequena fração deles, entretanto, são duas vezes mais pesados, compostos de 1 próton e 1 nêutron. Da mesma maneira, a maioria dos núcleos de oxigênio é formada de 8 prótons e 8 nêutrons, embora alguns poucos tenham 9 ou 10 nêutrons. Algumas moléculas de água são, portanto, mais leves, evaporando com um pouco mais de facilidade, enquanto outras, mais pesadas, condensam primeiro.
