Durante muitos anos, o debate sobre crianças e adolescentes nas redes sociais foi construído a partir de uma pergunta relativamente simples: quanto tempo os pais devem permitir que seus filhos permaneçam diante de uma tela? O acordo de aproximadamente US$ 18 bilhões celebrado pela Meta nos Estados Unidos demonstra que essa pergunta já não é suficiente. Talvez seja necessário formular outra, muito mais incômoda: até que ponto uma plataforma digital pode ser projetada para manter uma criança diante da tela?A Meta, controladora do Facebook e do Instagram, chegou a um acordo com um grupo bipartidário de 52 procuradores-gerais de estados, territórios e do Distrito de Colúmbia dos Estados Unidos para encerrar uma ampla frente de disputas envolvendo a utilização das plataformas por crianças e adolescentes. O acordo surgiu durante o julgamento, perante a Justiça Federal da Califórnia, de ações movidas por 29 estados, em uma controvérsia que poderia resultar em sanções de proporções extraordinárias.As acusações atingem o coração do modelo econômico das plataformas digitais. Os estados sustentaram que Facebook e Instagram teriam sido deliberadamente concebidos com funcionalidades capazes de estimular o uso compulsivo por crianças e adolescentes, enquanto a empresa teria minimizado ou apresentado inadequadamente os riscos associados aos produtos.
Quando o algoritmo também responde: o acordo bilionário da Meta
Por sarahamerico · Jovem Pan
