O enorme outdoor na principal rodovia de Tel Aviv colocou a Turquia diretamente no centro da campanha eleitoral do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. A imagem mostrava o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ao lado dos líderes do Irã, dos líderes do Hezbollah e do prefeito de Nova York, como adversários de Israel, sob o slogan: “Eles querem que Netanyahu perca. Não deixe que eles vençam”.
Poucos dias depois, a Turquia tornou-se também o centro do mais recente confronto militar de Israel.
Caças israelenses atacaram a base aérea de Abu al-Dahar, no norte da Síria, visando o que autoridades descreveram como uma crescente mobilização militar turca, considerada por Israel uma ameaça significativa.
No entanto, faltando pouco mais de dois meses para as eleições, a coincidência temporal entre o ataque e a retórica de campanha de Netanyahu alimentou um debate em Israel e no exterior: estaria Netanyahu agindo preventivamente contra uma ameaça estratégica real ou ampliando uma ameaça existente para melhorar sua posição eleitoral?
Ao longo de grande parte de sua carreira política de décadas, Netanyahu apresentou-se como o “Senhor Segurança”, alguém capaz de enfrentar quaisquer ameaças a Israel. Ele é também um estrategista político astuto, com um longo histórico de transformar crises em vantagem própria.
