Por Maria Fernanda Ziegler
Pesquisadores da Universidade de São Paulo e colaboradores alemães desenvolveram uma estratégia inovadora para a produção de vacinas. Em artigo publicado na revista npj Vaccines, o grupo apresenta a criação de um “imunizante inteligente” a partir de uma versão geneticamente modificada do vírus chikungunya. A vantagem dessa tecnologia é que o patógeno só consegue se replicar uma vez no organismo -o estímulo exato e seguro para treinar o sistema imune a gerar anticorpos, sem apresentar riscos de causar a doença.
Nos testes iniciais feitos em camundongos, uma única dose da formulação foi capaz de proteger os roedores. Mais do que uma solução promissora contra o chikungunya, os resultados abrem caminho para a consolidação de uma nova plataforma vacinal, cuja base tecnológica poderá ser adaptada para o combate a outras doenças no futuro.
“A ideia foi criar um vírus que entra na célula e ativa o sistema imune, mas é fisicamente incapaz de se tornar infeccioso. Assim, o imunizado não apresenta sintomas nem corre o risco de desenvolver a doença. Isso é importante, pois permite uma proteção robusta sem risco de efeitos colaterais, ampliando o uso também para pessoas imunossuprimidas e idosos”, diz Danillo Lucas Alves Esposito, pesquisador da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP-USP) e 1º autor do estudo.
