O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse a mais de um interlocutor que considera o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a maior traição política que sofreu.
Nessas conversas, ele citou o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, que disse que Lula recebeu propina durante as investigações da Lava Jato, de ter sido a 2ª maior traição.
Há 2 motivos para a contrariedade de Lula com o presidente do Banco Central. A 1ª tem a ver com o escândalo do Banco Master.
A estratégia do PT era deslocar toda a responsabilidade pelas ações de Daniel Vorcaro, fundador do Master, para o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto.
Galípolo, em audiência na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado, porém, foi na direção contrária.
Eis o que ele disse em 9 de abril deste ano: “Não há, em nenhum processo de auditoria ou de sindicância, nada que encontre qualquer culpa por parte do ex-presidente Roberto Campos“.
A declaração caiu como uma bomba no colo do PT.
Galípolo foi indicado pelo governo Lula para a diretoria do Banco Central e, depois, para a presidência do BC. Por isso, a fala impediu o partido de atribuir a defesa de Campos Neto a um nome da oposição tentando isentá-lo.
Lula chegou a cobrar Galípolo publicamente por outra explicação em 15 de abril. A explicação que Lula desejava, no entanto, nunca chegou.
