A alta prevista pelo governo de R$ 120 no salário mínimo para 2027, indo de R$ 1.621 para R$ 1.741, irá aumentar a renda disponível para trabalhadores e beneficiários de programas sociais. Ao mesmo tempo, o reajuste representa uma pressão adicional sobre as contas públicas, segundo economistas ouvidos pelo Poder360.
O aumento de 7,4% deve causar um impacto de R$ 49,6 bilhões em despesas primárias adicionais à União. A estimativa é uma simulação baseada no PLDO (Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2027, apresentado em abril, que projeta que cada R$ 1 de aumento no salário mínimo resulte em R$ 413,2 milhões de despesas primárias adicionais. A projeção foi feita pelas Consultorias de Orçamento da Câmara e do Senado. Leia a íntegra do informativo do projeto (PDF - 835 kB).
A dívida bruta de todos os governos do Brasil (federal, estaduais e cidades) atingiu 81,9% do Produto Interno Bruto em junho, o percentual mais alto desde a pandemia.
MAIS RENDA E CONSUMO
Apesar do impacto fiscal, o reajuste real do salário mínimo tem impacto social e efeito redistributivo, de acordo com o professor de economia da UnB Roberto Piscitelli.
Ele também considera o salário mínimo um dos principais instrumentos de redução da pobreza e da desigualdade no país. Para ele, o ganho real é importante para evitar que trabalhadores e beneficiários de baixa renda percam espaço em relação às demais remunerações.
